quarta-feira, 9 de julho de 2008

Do astro do rock ao terrorista. Em 3 segundos.

Sempre achei engraçado como a gente tem uma habilidade instantânea de sair de um lugar e parar em outro totalmente diferente em poucos segundos. Tipo ver um pacote vazio de salgadinho na rua e acabar com o pensamento lá na fome do mundo ou no número de pessoas com câncer porque comeram porcarias a vida toda. Coisas bizarras assim mesmo. Vai entender as divagações da mente, né?

Algo do tipo aconteceu esses dias comigo. Numa finaleira de noite, alguém soltou uma pérola mais ou menos assim: "... E foi aí que eu larguei tudo e virei um astro do rock."

Pronto! Passei do pacote de salgadinhos à fome no mundo em 3 segundos.
Não sei e nem quero saber se essa frase, que na hora soou engraçada, faz algum sentido maior pra quem falou ou se foi uma mera constatação. Mas eu - que tenho mania de fugir com pensamentos de onde eu tô e desenvolver toda uma teoria pra mim mesma enquanto o resto continua conversando - peguei aquela frase, tirei ela do tempo e espaço que todo mundo tava e a encaixei em outros lugares. Pra mim, a essência dela faz todo o sentido.

A gente tem mais é que largar tudo e ser. Ser o que a gente quiser, fazer o que a gente quiser.
Vamos sair por aí e virar protagonistas de algum filme fabuloso, vamos virar dançarinos, astronautas, historiadores, mendigos-de-banco-de-praça, presidentes da república, astros do rock, viajantes sem rumo, donos de alguma cabana na praia, cientistas loucos, personagens de contos de fadas, escritores, poetas, strippers, virgens, gângsters, terroristas, sei lá.

Não precisamos necessariamente dar um sentido real à frase lá do início. No caso do amigo que falei, coincidentemente foi. Mas eu tô falando de ser mil e ser uma pessoa só, ser uma coisa diferente a cada dia, mestres de obras da nossa vontade, astros da nossa própria vida.

Quem liga se der tudo errado? E daí se a gente sonhou em ser uma barbie e não deu certo? (a Susie é muito mais interessante). E daí ter medo de a parte do mendigo-de-banco-de-praça virar real? E daí que você quebre a cara e fique de nariz vermelho e olhos inchados? E daí se a Cinderela não ficar com o príncipe? (Eu sempre torci pras filhas da madrasta).
E daí se gente não souber que caminho seguir ou por oude (re)começar? O começo é sempre em branco...
Se a gente cair ou alguém nos derrubar, qual o problema? O jeito é sacudirmos a poeira e rirmos de nós mesmos por termos sido tão ingênuos, porém felizes. Quem aprendeu a ser o que quiser, tem que aprender a se levantar.
Vamos deixar nossa fantasia se confundir com o nosso dia. Passe dos limites divinos. Melhor tentar do que viver de figurante a vida inteira.
Como diria o Lulu Santos, vamos nos permitir.


PS: Desculpem o texto descaradamente clichê, mas eu não tô nem aí. Tô nem aí pro que disserem, nem aí pro que pensarem. Tô nem aí pra quem acorda todo dia no mesmo horário, espalha sorrisos falsos e na hora das refeições mastiga, engole e digere frustração. Hoje eu tô sem rumo, hoje eu tô com peito (e não falo dos 275 ml), hoje eu tô virada em vontade, hoje eu tô sem paciência pra conformismo, hoje eu tô filósofa do boteco-do-Zé-da-esquina, hoje eu tô de bem com o meu mundo e não tô mesmo nem aí pra quem não tá aí pra mim.

Hoje eu virei cientista louca e criei uma bomba. E, ainda por cima, eu tô terrorista.

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