sexta-feira, 11 de julho de 2008

Obrigada, vento!

É por dias como hoje que vemos que vale MUITO a pena não parar nunca de acreditar na gente. Sinto como se tivesse feito 15 anos de terapia em 20 minutos de olhos fechados, vento no rosto e análise interior em pleno saguão do condomínio. (E isso que eu geralmente tenho medo de mim quando fico de olhos bem fechados).
Tenho a mania ridícula de afirmar com todas as letras que eu não consigo sentir, que eu não consigo me apaixonar, que eu não consigo me importar. E olhando bem, entendi que na verdade sempre esqueci mesmo era de perceber que eu consigo sim, só não consigo por muito tempo. Só eu estando louca de pedra pra achar que algum dia eu teria a ousadia de achar de verdade que nunca consegui me apaixonar por ninguém. É mentira deslavada, puro fingimento e uma certa covardia disfarçada. Hoje eu resolvi fazer as pazes com o coração. Pedir desculpas por ter deixado ele de lado e sempre ter dado preferência à razão.
Eu, sendo bem sincera, já me apaixonei infinitas vezes. Às vezes por uma semana, às vezes por dois dias, às vezes por três meses, às vezes um vai e vem. Tudo assim mesmo, super rápido. Mas e daí? Na hora era intenso, era de verdade. Por vezes, eu chegava a achar que era eterno e nunca ia acabar, e poucos dias ou semanas depois lá tava eu: bem bela, loira e sorridente, me apaixonando e flutuando, tudo de novo. O doido é que, além de tudo, às vezes costumo me apaixonar por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Assim, todos juntos, todos lindos, todos incríveis, todos diferentes. Meu coração bate muito forte, e eu não sei mesmo como fazer ele parar. E acho isso demais! (Espero sinceramente que alguém mais seja assim como eu).
Mais engraçado então que o meu apaixonar é o meu desapaixonar. Eu desapaixono tão rápido quanto apaixono. Ontem, bastava a pessoa não me querer pra eu apaixonar. Hoje, virei tudo de cabeça pra baixo, basta não me querer pra eu DESAPAIXONAR (thank God!).
A verdade é que hoje eu acordei completamente apaixonada. Por mim mesma. Do meu sapato de salto ao tufinho de mega-hair, do meu dedo do pé direito meio torto à minha cicatriz no meio da testa. Completamente apaixonada por tudo o que eu sei que eu sou e por tudo que eu sei que eu sei, por todo esse meu jeito estranho de ser que me surpreende a cada dia.
Acordei, pela primeira vez, indiferente a quem não gosta de mim. Poxa! Apesar de um monte de defeitos e medos, eu malho todos os dias, não sou virada em futilidade (embora tenha manias tipicamente femininas), tenho perfeita noção de tudo o que eu sei e entendo, nunca rodei em prova, sempre procurei ver o lado bom das pessoas (até das inacreditavelmente medíocres), escovo os dentes três vezes ao dia, estudo e leio até o meu limite, não sou conformada, não me satisfaço com pouco e um dia vou ser pra casar. Nada mais justo do que eu riscar da minha vida qualquer ser que não me mereça e que não esteja à minha altura (E não é narcisismo!). Não quero nem ouvir falar de pessoas que não me enxergam. Não tenho raiva, mas também não me importo com quem não se importa comigo.
Eu sou provavelmente a mais desencorajadora das conselheiras, porque quando perguntam nunca deixo de dizer a mesma coisa: a gente tem mais é que gostar de quem gosta da gente. Só podem fazer com a gente o que permitimos que façam. Então vai dizer isso pro coração, né? Mas a gente tem a razão pra ajudar de vez em quando pra quê? Na luta dentro da gente, o amor que sempre tem que vencer é o amor-próprio. É egoísmo? Não sei. Só sei que é com ele que a gente consegue a recompensa final: alguém que nos ame porque ama a si próprio, e sabe que nós somos bons o suficiente pra ser o melhor pra ele. Isso se chama valorização. Não precisamos mendigar. Ninguém precisa de migalhas. Amor é um prêmio pra quem consegue se achar, é inteiro e é sem pedir.
Talvez fique a pergunta: e onde eu vou achar felicidade se não for em um amor eterno e complicado que nunca dá certo (e que, no fundo, a gente tem a esperança que um dia dê)? Felicidade a gente acha em pequenos detalhes e demonstrações de consideração das pessoas ao nosso redor. Felicidade é ver sua irmã linda e maravilhosa se arrumando pra sair de casa e ainda te perguntar se o visual está bom, e se por acaso você responder que achava melhor a outra roupa, ela ir lá e trocar. Felicidade é ver que seus amigos adiam programações se você nao puder estar presente. Felicidade é ver alguém da sua família vir te visitar toda semana, porque simplesmente sente saudade de conversar com você, te abraçar e saber como você tá. Que antes de amores eternos, eternos sejam os sorrisos dos nossos amigos, as mensagens da sua mãe no celular e as conversas infinitas no msn.
Já fui muito de dar valor a coisas fúteis, sim. E eu tenho orgulho de mim mesma por hoje poder dizer que eu cresci. Que eu não julgo mais por aparências, que eu não quero mais saber qual é a marca do carro, da roupa e o modelo de celular da outra pessoa. Não me importo mais com a quantidade de dinheiro na conta bancária, com a idade, com o que faz da vida ou o que não faz. Eu só me importo com o que ela sente em relação à mim e com o que ela me faz sentir. Viver a vida dá um puta trabalho, mas também dá uma felicidade que não dá pra explicar quando a gente vê que a cada dia, ela faz a gente crescer bonito.
Eu sei que é tudo muito mais profundo e mais complicado do que isso e o que eu escrevi pode soar bem superficial (eu mesma já me peguei toda acabada em textos que às vezes releio), mas tente pôr a essencia de tudo isso em prática. Comece dizendo "chega" pra certas pessoas, comece falando pra si próprio que você é mesmo FODA.
E também comece a notar mais as pessoas na rua, tente ver que nem todo mundo é tão fora do seu interesse assim. Repare em sorrisos, olhos, mãos, cabelos, gestos, jeitos. Talvez você se apaixone mais vezes. Talvez você se apaixone melhor, tolere melhor, não "pegue nojo" tão rápido. Procure saber os sonhos de quem dorme ao seu lado. Talvez assim como você próprio não queira ver as qualidades dos outros, os outros também não vejam as suas e, conseqüentemente, não te tolerem também. De longe, acho que o que falta mesmo na gente é tolerância.