Um dia, você percebe a decadência do seu próprio ser ao precisar de alguma outra pessoa.
A situação ridícula em que você se encontra não conseguindo se concentrar 100% na SUA vida, nas SUAS coisas.
Você se sente patética ao acordar no meio da noite sem sua cabeça conseguir comandar qualquer pensamento, a pensar porque você consegue tudo o que quer menos o que depende de uma só pessoa. Você se sente impotente ao perceber que você não pode mandar nas vontades de algum outro desgraçado.
E você não sente mais vontade de estar com outras pessoas (por que sabe que poderia ser melhor), mas beija todo dia uma nova, pra ver se acha o pedaço de você que ficou perdido no ar ou mesmo pra dar uma disfarçada. Mesmo assim, todos esses dias você volta pra casa, fecha os olhos e pensa no mesmo infeliz. E pensa a que ponto chegou, obviamente.
Então, pra não jogar a culpa na sua própria incapacidade, joga a culpa nas demais pessoas (é CLARO)... afinal, quem mandou tanta gente ser tão medíocre? Por que as pessoas têm a tendência a não serem o que se espera? Por que é tão raro achar alguém aceitável e que nos contente?
Daí quando você percebe que tá bolando o décimo quinto plano de reconquista infalível com um pote de sorvete de chocolate e quase ao som da música do Titanic é que você fala que nunca mais - NUNCA MAIS - vai entrar nessa decadência de novo. Vai amar a si mesma acima de tudo, vai se afastar de qualquer coisa parecida com paixonite assim que o alarme apitar. Afinal, não precisamos de paixão, né? É um tipo de degeneração, um tipo de desvio do nosso próprio caminho.
Isso é pra qualquer mortalzinho... não pra você, tão impecável nas obediências à própria cabeça, tão senhora de si, tão quase-perfeita. Não mesmo, bonitinha!
Tanto você tenta, se isola, vai pra lá, vai pra cá... até que passa! PASSA (sempre passa)!!!
Então você vive de novo como sempre foi. Evolução em cima de evolução, arraso atrás de arraso. Até que cansa, e você - BURRA - vai lá e procura o quê?? PAIXÃO. Porque agora mudou de idéia. Agora acha que ninguém vive sem paixão.
E, por incrível que pareça, por mais que você achasse que nunca mais ia achar (e acha, o pior é que a gente desenterra e ACHA), vem alguém que você não sabe de que buraco saiu, alguém de novo diferente de todo mundo e puf - te derruba. Aí você reclama que tá decaindo, que onde já se viu ficar assim por alguém e blábláblá... a mesma conversinha de sempre.
E começa o ciclo tooooooodo de novo.
Ora, faça-me o favor né?
A verdade é que a gente não precisa de alguém pra reafirmar o que a gente é. Toda espécie de dependência é decadência. É preciso nos condicionarmos de modo a ficarmos imunes a qualquer tipo de sentimento que atrapalhe nossos objetivos maiores. Nosso maior dever é a própria realização, e se sentimentos como esse se transformam em um obstáculo, é melhor aprender a controlar na hora certa.
É, destino! Anda pregando muitas peças. Mas eu nunca, never, neeever, nunquinha admito. Sou muito mais eu (e você).
Agora, meu querido, eu já sei lidar com todo esse mal.
