quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Isolamento+multidão

É fato que estamos cada vez mais interligados. Poder ser pelo telefone, orkut, fotolog, msn, festas, shows, trabalho, faculdade.
Lidamos com pessoas todos os dias, recebemos informações todos os dias, fofocas correm com a velocidade da luz.
No entanto, nunca se soube tanto e tão pouco sobre as pessoas ao mesmo tempo.
Conhecemos tantas pessoas a toda hora, alguns de nós têm vários perfis no orkut, falamos com várias delas ao longo do dia mas, na grande maioria das vezes, sabemos tudo superficialmente.

Eu tenho muitos amigos de "Oi, tudo bem?" e só. Não digo que não me interessa aprofundar assuntos, mas - às vezes - me parece cansativo.
Não tenho paciência para conhecer pessoas e acho que a maioria também não tem. Pra que forçar um constrangimento mútuo tentando aproximações? Não adianta "forçar a barra". Prefiro naturalidade (mesmo que eu viva esperando por ela).
Não temos obrigação de relações mais profundas, até porque isso combina com a situação atual. E a situação nos diz que é difícil e perigoso confiar demais em quem desconhecemos.
Acho que muitos de nós já quebramos a cara um número suficiente de vezes e por esse motivo criamos um modo de proteção automático.

Isso não é ruim. O problema é que muita gente não consegue viver assim pra sempre. Uma hora ou outra, é chegado um momento em que não aguentamos mais, um momento em que tantas barreiras se tornam demasiado cansativas. Um momento também, que nos deixa num estado de insatisfação permanente ao ver que essas barreiras não são tão fáceis de se quebrar.

Fatalmente, eu cheguei nesse momento. Não sei se muito cedo ou muito tarde, ou se foi na hora certa. A verdade é que eu sinto que o meu momento chegou numa hora incompatível com os momentos das pessoas ao meu redor. Mas isso é um detalhe à parte.
Voltando às barreiras, um cara chamado Tenessee Williams disse algo que traduz muito isso: "Todos somos sentenciados ao confinamento solitário dentro de nossas peles, perpetuamente".

Por mais que tentemos aproximações, trocas de idéias e por mais que tentemos aprender a fundo o outro, ninguém nunca terá conhecimento do que acontece realmente dentro de cada um.
Há medos, pensamentos absurdos, loucuras e idéias inadmissíveis dentro da gente que não gostamos nem de mostrar a nós mesmos. Quem dirá contar aos outros? Melhor isolar mesmo dentro da própria pele.

O que eu penso é que abusar desse isolamento em todos os detalhes não dá mais. Abusar da auto-suficiência, do viver pra si mesmo e do conhecer só a si mesmo é deprimente.
"Conhece-te a ti mesmo", sou adepta. Mas também sou adepta do conhece um pouco mais ao próximo, quebre barreiras (mesmo que sejam só as menores). Isso gera um aprendizado absurdo, nos acrescenta várias coisas, destrói impressões pré-confeccionadas e nos completa cada vez mais.

Sempre fui muito cética mas, apesar disso, eu ainda acredito nas pessoas. Não acredito que alguém seja completamente medíocre e não pense alguma coisa de útil nunca. Vejo que uns têm uma visão melhor de mundo, mas é impossível alguém que não tenha uma visãozinha sobre alguma coisa. Que alguém seja só vazio.

De vazia, chega essa mania ou compulsão por isolamento, por não-compartilhamento, por falta de palavras e egoísmo. Mania de só acreditarmos na nossa verdade, e as verdades dos outros que "se explodam".
Às vezes, me parece que as pessoas fingem que gostam disso tudo. Porquê, afinal, auto-suficiência, solidão e distância estão em alta. E palavras não.

Será que eu nasci no lugar ou na hora errada?

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