E eu não mais me apavoro quando alguém faz cara de fim de mundo quando eu digo que mudei.
Eu não fui, e não era pra fazer charme. Eu não fui porque eu não quis. Se fosse charme, eu ligava na última hora e não deixava passar.
A verdade é que faltou vontade. Foi natural. E a satisfação foi enorme, pois sempre esperei QUERER agir assim.
E não importa quem você seja, ou o que você faça. Não faz mais diferença. Eu sou mais do que um produto, e não aceito ser tratada como tal. Bem clichê. E bem verdade.
Se "o meu passado me condena", não importa. E se esse passado pode ser considerado ontem, também não. Eu mudo de convicções de um dia pro outro. Não tenho convicções inabaláveis.
As pessoas são engraçadas. Se você age de acordo com suas vontades, falta moral. Se você age moralmente, dizem que você deveria seguir seus instintos. O que eu escolho? Naturalidade.
Sempre me policiei por tomar atitudes que não eram baseadas em princípios, mas nem por isso deixei de tomá-las.
Hoje, tive meu momento epifânico. Descobri não necessitar mais de policiamento. Descobri uma falta de vontade pra atitudes sem sentido.
Há mesmo uma fase em que a gente oscila entre a loucura e a culpa, entra a vontade e a moral, entre o sentido e a falta de sentido. E essa fase passa. Ela passa a partir do momento em que a gente sabe exatamente o que quer. A partir do momento em que a gente percebe a verdade borboleteando irreversivelmente em nossos pensamentos.
E a verdade é que o tempo não volta. Existe vida, existem possibilidades interessantíssimas. Não sei mais valorizar pessoas que eu sei que são pequenas demais comparado ao que imaginam que elas são. Aparências cegam, mas são efêmeras.
Se alguma pessoa vale realmente a pena, qualquer loucura passa a ser inocente, qualquer vontade deixa de ser imoral, qualquer falta de sentido passa a ter sentido.
PS.: Não generalizo.
