domingo, 26 de outubro de 2008

Loucura, fraqueza, solidão e, acima de tudo, algum tipo de fé: SOLO

"Cada caminho é sempre uma infinidade de trilhas e de encruzilhadas. Só as perguntas vão nascer. A busca das respostas vai ser a tua vida"

A sintonia do tempo me intriga. Pra mim, foi na semana certa que eu entrei numa sala com o número 319 e recebi das mãos de um homem de óculos e ar sério (que eu juro, sempre me intimidou) um livro de capa meio azul ou meio verde - nem sei - com uma palavra escrita em cor branca: Solo.
Juremir Machado da Silva, sem saber estaria contribuindo para o meu auto-conhecimento e para o entendimento do próprio ser humano. Afinal, somos todos tão iguais, não é?

Enquanto eu estava lendo, um vizinho desses que chamamos de autista, me perguntou sobre o nome do livro. Se tinha a ver com a terra, o chão? Eu não tinha pensado nessa possibilidade. Na realidade, eu havia pensado em solidão. Mas não deixa de ser: solidão e busca pelo próprio lugar na terra, ou busca das origens, do que nós somos. É bom ter uma visão nova, o que eu - na minha (suspeita e suposta) perfeita faculdade mental - não havia percebido, o meu vizinho percebeu.

A solidão, por vezes, é benéfica. Mas quem nunca enlouqueceu com a solidão eterna? Quem nunca se sentiu só em meio a tanta gente, tanto mundo, tanta vida?
Negamos nossos problemas a nós mesmos e aos outros, mas inconscientemente ou quase sem querer, procuramos a resposta para o que nos perturba.

Não temos problemas? Não seria isso um novo problema? Vai saber.
Na realidade a busca do nosso encontro consigo mesmo é incessante.
A loucura da falta de loucura, ou da falta de vida (mesmo havendo vida) é inquietante. E vai crescendo à medida que temos a consciência de que o desperdício de nós mesmos é real.

E é aí que sonhos absurdos se misturam com o real. É aí que a gente se pergunta se temos fé ou se temos culpa da falta de fé. É aí que a gente sente que não somos (ou não estamos) compatíveis com o resto - aquele resto que parece tão feliz e que parece estar tão longe do que somos.

"As minhas imperfeições desfilam e piscam como estrelas num céu claro e profundo" . A imperfeição faz parte de nós: HUMANOS, reais. Não queira ser perfeito. Queira ser você - desde que isso cause o menor número de danos possível a outras pessoas.

Tá certo, há momentos de fraqueza. Um amor perdido, o vazio, o nada, os sonhos perturbadores, a vontade de um retiro por tempo indeterminado no próprio apartamento. Mas será que isso dura pra sempre? Dura pra sempre o piloto-automático e a vontade de nunca mais buscar o que foi perdido?

Você é e sempre será observado, os erros serão julgados. E os erros aparecem. Mas o tempo nos ajuda a aprender o que causa dor e o que não causa, e com esse aprendizado você muda. A gente muda todos os dias. E a gente muda através de um longo caminho a ser percorrido. No final (ou no começo?), na hora certa, a gente descobre realmente quem a gente é. Você consigo mesmo. Transição. Epifania. Auto-conhecimento. Auto-ajuda.