domingo, 18 de abril de 2010

o meu mundo.

Eu conheço a história de uma guria que pensava ser muito cedo pra começar a conquistar aquilo que, mais tarde, ela descobriria ser tudo o que iria precisar. Tudo o que que um dia gostaria de acumular.

Começou no dia em que ela teve medo de guardar junto de seus pertences, uma pedrinha. No dia em que ela precisou construir um caminho, ela lembrou que precisaria de uma pedra, então desistiu do caminho também. Quando precisou colocar de pé uma porta, tinha de ter um caminho. No dia em que quis construir uma casa, lembrou da porta. No dia em que precisou construir uma cidade, não tinha casas. Ela, pois então, não poderia ter um estado. E perdeu um país. Perdeu um continente. E não poderia, no final das contas, ter um mundo. Precisava de pedrinhas.

E quem se importa? É complicado demais ter um mundo. É complicado demais seguir caminho com uma pedra a mais a sobrecarregar. É complicado demais entender um lugar onde dois mundos são tão diferentes, onde dois mundos não se misturam e não se entendem, não se compreendem. É que, sem querer, deixamos pra depois tudo aquilo em que se pode colar o rótulo: complicado.

É difícil você me entender, quando mora em um lugar onde a tua língua é diferente da minha, a tua ética e os teus certos e errados são diferentes dos meus, onde a tua porta está de pé, e fechada.

É complicado entender o teu mundo enquanto eu... eu ainda nem sei. Eu ainda nem tenho um.

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